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quarta-feira, 20 de julho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Definições
- Olá! Quem sou?
- Não sei dizer ainda.
- O que dizem sobre mim?
- Definem como rebelde, louco, perdido, desertor... herege.
- Tudo isso?
- Sim.
- A liberdade é uma rebeldia de quem decide quebrar as regras. A liberdade é loucura quando ser normal é obeceder o sistema. Estar perdido o torna livre para escolher um novo caminho. Desertar às vezes é o único modo de se curar e herege é aquele que abandona suas crenças, não aquele que decidiu enxergá-las de um ponto de vista diferente.
Pois ele não quis entender dessa forma e, ao lançar mãos das pedras do tribunal - abandonadas pelos que eram dignos de tocá-las - conseguiu levar para mais longe, aqueles que tentavam voltar.
Os gritos e ofensas que ecoam nos vales infinitos da alma o fizeram de herói a vilão, de bem feitor a carrasco. E como aquele que despreza os seus, ele conseguiu macular o interior de todos os que estavam ao seu redor. Das águas negras que bebi eu me lembro da fonte - fonte que andava nas noites e nos dias e jorrava, como o rebentar de uma represa, imprecações, insultos e infâmia a todos imperfeitos que o cercavam.
- Quem lhe trouxe aqui?
- Você!
- Não imaginava que fossem tantos...
- Sim. Todos aqueles que lhe ajudaram. Todos aqueles em quem você plantou a semente da decepção e da ingratidão.
E foi assim, tratando das feridas que suas palavras criaram, que eu decidi nunca me tornar igual você. Foi assim que eu vi o prato da vingança passar por mim e não ter coragem de tocá-lo. Foi negando tocar o banquete do rancor que aprendi a esperar o tempo retribuir as sementes plantadas no caminho.
Eu vi os degraus da soberba que você pisou. Eu vi a escadaria de sangue que lhe fez subir e me arrependi de um dia ter lhe conhecido. Mas os degraus do engano levam para frente quem neles desce e afunda quem por eles sobe.
Sua subida o trouxe até aqui. E é aqui onde eu verei, sentado na platéia, qual é a cor das pedras do Tribunal.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Águas do Tempo
Eu assistia naquele dia de nuvens cinzas e espessas o balouçar das árvores que, atacadas pelos ventos vindos do horizonte - ventos que traziam consigo recordações e lembranças das vidas que deixaram este trazer seus sentimentos, culpas, desejos e redenção - e como um que adentra ao mar e é atingido pelas ondas marinhas, eu me via envolvido agora pela força arrebatadora das recordações de um tempo que passou.
Ao sentir o impacto das ondas de recordações eu queria encontrar palavras para expressar o quão profundo era o desejo de minh'alma sentir aqueles raios de sol novamente, naquela tarde, naquele local e ter mais uma vez ao meu lado aqueles a quem concebi como amigos.
Mas lembrar de todos aqueles dias de juventude - onde os esforços eram creditados à causa e a força era o sonho de todos - era como ver a maré, cada vez mais alta e forte, submergir meu interior num turbilhão de saudades inexprimíveis que arrastavam, sem chance de escapar, meu ser para as profundezas daquele vasto oceano do passado e fazia meu espírito ser levado pelas ondas - agora turbulentas e em desordem - para um local perdido dentro de mim.
Eu tentei explicar a mim mesmo aquele sentimento incompreendido mas não consegui mensurar todas as águas que passavam agora sob meu ser. Embora não soubesse descrever a sensação daquele momento, eu não desejava voltar à tona e deixar ali, afundado na escuridão do meu ser, aquele baú trancado com as correntes da mágoa e da desilusão. E foi ali nas profundezas do meu ser que pude abrir aquele baú - outrora enterrado e perdido - e liberar todos os sentimentos aprisionados pelas algemas do medo, da censura e da crítica.
Foi então que, ao ter coragem de enfrentar a escuridão, eu pude ver a luz e, guiado por ela, eu pude emergir e sair daquelas águas como um que renasce para a liberdade.